Por quantos médicos negros você já foi atendido?

Profissionais e pacientes contam com plataforma focada na saúde da população negra

A foto da turma de Medicina da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), que formou em 2019, viralizou por todo o Brasil. Por dias, a imagem percorreu perfis de pessoas anônimas e públicas e levantou uma questão importante: você já foi atendido(a) por um(a) médico(a) negro(a)?

Dados da Demografia Médica 2018, desenvolvida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), mostram que o Brasil possui cerca de 450 mil médicos registrados pelo órgão. Entretanto, apesar do levantamento não informar qual a cor dos seus inscritos, dados do Censo da Educação Superior apontam que estudantes de Medicina negros são minoria, mesmo em um país onde a população negra ultrapassa a marca dos 56%.

Foto: Divulgação/ Hermes Fotografia

A foto dos formandos na Bahia tornou-se ainda mais emblemática por ser registrada no estado considerado o berço da Medicina no Brasil mas, mesmo tendo predominância da população preta e parda, nunca havia formado tantos médicos negros em uma só turma como até então.

Mas as barreiras para os médicos negros no Brasil não se encerram no acesso ao ensino superior. No mercado de trabalho, a invisibilidade, desvalorização social e salarial e a falta de oportunidade em um mercado de trabalho embranquecido tornam a trajetória desses profissionais ainda mais árdua.

Estudos do Insper, com dados levantados pela Pnad, apontam que entre os formados em universidade pública, as mulheres negras têm um salário médio de R$ 6.370,30, enquanto os homens brancos ganham R$ 15.055,84. No grupo de médicos que cursou medicina em instituições privadas, a remuneração é de R$ 3.723,49 e R$ 8.638,68, respectivamente.

Essa triste estatística precede de um outro dado alarmante relacionado ao mercado de trabalho em geral no Brasil: os trabalhadores negros ganham, em média, R$ 1,2 mil a menos que brancos (IBGE).

Para minimizar os efeitos do racismo estrutural na área da saúde e facilitar o acesso de pacientes a profissionais de saúde negros, a AfroSaúde criou uma plataforma pela qual pode-se buscar, agendar e receber atendimento presencial e online. A ferramenta completa foi lançada em agosto de 2021 e já conta com mais de 900 profissionais de mais de 30 áreas de atuação.

Na plataforma, o profissional pode, além de ganhar visibilidade e atender os seus pacientes, pode ainda ter o prontuário eletrônico, prescrição digital e enviar solicitações de exames.

Para pesquisar por um profissional e agendar consulta, basta fazer um cadastro simples e ter acesso à plataforma gratuitamente. Além da plataforma web, o aplicativo está disponível para celulares com sistema Android.

Por quantos médicos negros você já foi atendido?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *